Médico é indiciado por realização de cirurgias plásticas com sequelas e falsidade ideológica em MT
O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. Reprodução f O médico...
O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. Reprodução f O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica após a conclusão de uma investigação sobre cirurgias plásticas realizadas em quatro pacientes, em 2023, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Laudos periciais identificaram sequelas permanentes em duas mulheres. A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, concluída em 17 de agosto de 2026 e divulga pela polícia nesta terça-feira (20). O relatório final foi encaminhado à Justiça. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp As pacientes procuraram a Polícia Civil para relatar complicações após procedimentos como redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspiração. Entre os problemas relatados estavam dores persistentes, cicatrizes, assimetrias e deformidades. Agora no g1 Segundo a defesa de Lucas, representada pelo advogado Paulo Lacerda, os problemas relatados pelas pacientes seriam decorrentes de dificuldades de cicatrização, que podem ocorrer após procedimentos cirúrgicos. Além de negar o erro médico, o advogado questionou a imparcialidade da investigação, alegando que um dos delegados envolvidos seria marido de uma das pacientes. Ele sustenta que seria necessário ouvir testemunhas e realizar perícias com avaliação médica especializada para diferenciar possíveis erros cirúrgicos de alterações na cicatrização, como a formação de queloides, antes da conclusão da investigação. A defesa informou ainda que pretende apresentar uma representação à Corregedoria contra o delegado. Ao g1, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) informou que determinou a instauração imediata de uma sindicância interna. O procedimento administrativo tem como objetivo apurar rigorosamente todos os fatos narrados, bem como confirmar oficialmente a identidade do profissional indiciado, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa. O CRM-MT afirmou ainda que atua de forma independente, mas colaborativa, permanecendo à disposição das autoridades competentes para auxiliar no que for necessário ao longo do processo investigativo. Entenda o caso A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e concluída em 17 de agosto de 2026. Polícia Civil de Mato Grosso Segundo os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), uma das pacientes apresentou deformidades e cicatrizes com comprometimento estético. Em outro caso, os exames apontaram alterações permanentes nas mamas e nos mamilos. Nos outros dois casos, os peritos não confirmaram lesões corporais. Uma das mulheres também relatou necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após duas cirurgias, realizadas em 2023 e 2024. Além das complicações cirúrgicas, a Polícia Civil apurou indícios de falsidade ideológica relacionados ao prontuário médico de uma das pacientes. Conforme o relatório policial, uma prótese mamária teria se rompido durante um procedimento para retirada do implante. O fato, segundo a investigação, não foi registrado no relatório cirúrgico correspondente. A apuração considerou o depoimento da paciente, a prótese apresentada para exame e os documentos médicos. A perícia, no entanto, não conseguiu estabelecer uma relação entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher. Em interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que as complicações decorreram de fatores relacionados às cirurgias, às particularidades de cada organismo e ao processo de cicatrização. O médico também declarou que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessário. Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil formalizou o indiciamento pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise e adoção das providências cabíveis.